O que assistimos hoje não é política; é a vulgarização absoluta da República. Transformaram o debate em um picadeiro de circo mambembe.
Antigamente, o demagogo precisava, ao menos, ter o talento de encarar o povo nos olhos. Havia literatura na briga, havia substância no fel. Havia uma Nação em jogo.
Hoje, o político não busca mais convencer o cidadão; ele busca entreter a turba. Substituíram o raciocínio parlamentar por dancinhas constrangedoras e frases de efeito para o algoritmo.
O político atual não teme o julgamento da História. Ele teme o cancelamento do minuto seguinte. Ele não legisla para o futuro, mas para a “curtida” efêmera.
É uma política feita de espuma: sobe rápido e desaparece ao menor sopro de realidade, deixando para trás apenas a sujeira do vazio intelectual.
Deus tenha piedade desta Nação, porque o povo parece viciado na própria decadência de um reality show de quinta categoria.
— Dr. Lacerda